Medos: Vamos abrir a porta?

Lá estávamos nós dois, em mais uma noite de bagunças, dessa vez Luiz queria brincar de zumbi, já que a casa estava respirando as preparações para a festa de  Halloween, na escolinha.

E então começamos a correria em nosso pequeno apê, que promove o meu esconderijo preferido nessas ocasiões de tensão: Atrás da porta…

Eu ouvia as risadas e gemidos dele enquanto ensaiava abrir a porta e apesar de saber exatamente o que iria encontrar…gritava e gritava, misturando seus gritos com risadas quando via que o perigo não era tão grande assim.

Pois assim são nossos medos, nos pregam peças, ficam sobrevoando nossa cabeça embora muitas vezes sabemos exatamente o que vamos encontrar “atrás da porta”.

Na segunda vez repeti a brincadeira e observei que agora, ele havia ido buscar alguns recursos, o primeiro deles: sua espada.

Mas o medo…

…ali estava ele fielmente, cumprindo seu papel: criando situações na cabecinha do Luiz de um gigante imenso, horrível,  forte e invencível que sairia atrás da porta para devorá-lo.

O Medo nos protege: Não abra a porta, você pode se machucar.

O Medo nos impede: Se você abrir a porta pode não dar conta do que está atrás dela…

Mas como são sábias as crianças, ao invés de negar os seus medos, aprendem a senti-los,  expressa-los e, até a se divertirem com eles.

Mas Luiz foi esperto, diante do desafio foi buscar alguns recursos para se defender, e apesar desses recursos, não deixava de sentir medo  e expressa-lo euforicamente através de suas falas e movimentos agitados.

Com os olhos fechados para não ver o “gigante”, mau  os abria  e dava espadada para todo lado, como que dizendo: agora fiquei mais forte e vou enfrentar, venha o que vier.

Mal sabia ele que ali estava o seu primeiro ensaio para a Vida.

Mas, o primeiro recurso não foi o suficiente, pois o zumbi, no caso a mamãe, não parava de se esconder e pregar sustos.

Foi então que ouvi uma conversa vindo da sala:

  • Ah é, não vai desistir, agora você vai ver, vou montar uma estratégia para vencê-lo.

Pois como decidiu enfrenta-lo pouco a pouco, sabia que já conhecia os pontos fracos do “seu medo” e então foi se familiarizando com ele a ponto de não ficar paralisado e apavorado como no início da brincadeira.

O GIGANTE DIMINUIU.

Quando fui assusta-lo novamente, lá estava Luiz: com as botas da mamãe, o capacete de ciclista do papai, sua espada e sua posição de combate. Pronto para ação.

E foi ali que entre correria, gritos, gargalhadas e suspiros, ele venceu o gigante e o deixou estatelado no chão de tanto rir!

Mas na verdade fiquei no chão, entregue, reflexiva, com um cantinho de lágrimas que teimava em  escorrer do meu rosto.

Eu acabava de ter lindamente uma lição de como lidar com meus Medos.

Só basta termos coragem de ver o que existe atrás da porta.

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