Meu Afeto e o Autismo Por Daniela Perine

E hoje, em um café mais que especial,  recebemos em Nossa Casa a querida Daniela Perine, além de uma mulher com o coração gigante, Psicóloga e especialista em Autismo.

        Na Presença dos Sentidos…

Por Daniela Perine

       Em primeiro lugar gostaria de agradecer o convite em escrever algo tão significativo e de grande valia quanto o Autismo.

         Esse café está simplesmente saboroso ao meu paladar e coração.

         A palavra Autismo em sua etimologia provém do grego autos, que significa ele mesmo, de si mesmo. E ismo tem por significado voltado. (Dic. AURÉLIO, 2000).

         O Autismo também conhecido por TEA (Transtorno do Espectro Autista), afeta três importantes áreas do desenvolvimento humano: Comportamento, Comunicação e Socialização. Estima-se que no Brasil são mais de 2 milhões de pessoas com Autismo.          Enfatizo que, no Autismo, as pessoas apresentam dificuldades e não incapacidade. São diferentes formas aprendidas de comunicação e entender o mundo.

         Quando penso em Autismo não penso somente nas dificuldades inerentes ao diagnóstico. Penso também em vida, sensibilização, afeto, respeito, apoio, dedicação, aceitação, compreensão, cuidado, esperança, conquistas, força e amor.

         O Autismo chegou em minha vida através de uma paciente que via algo “diferente” no desenvolvimento do seu filho. Ela precisava de apoio e cuidado para dar andamento no fechamento do diagnóstico dessa criança tão especial, e quando digo especial é no sentido de vida, de olhar o mundo e de vivenciá-lo. Um jeito tão único de vir a existir.

         Essa criança fez com que despertasse um amor ainda maior em mim. Iniciava-se ali a busca constante por conhecimento e experiência. Eu não via uma criança com autismo, eu via uma criança que precisaria de ajuda diferenciada para viver num mundo muitas vezes tão despreparado para recebê las.

         A vontade em conhecer maneiras de melhorar a vida de muitos me desafiou. Mas, a cada dia eu vejo que aprendo mais com eles do que eles comigo.

          O que mudou? Mudou minha maneira de ver o mundo. Mudou minha maneira de ver cada detalhe que, muitas vezes passava tão despercebido devido a rotina do dia a dia. E tudo passa a ter mais sentido e significado: Uma árvore, um passeio, um contato visual, um barulho, um novo aprendizado, uma nova conquista, uma música ou bolha de sabão.

         Afeto e Autismo… Uma combinação perfeita! Desenvolver o afeto necessário para  construção das relações familiares nessa nova forma de enxergar e se relacionar com o Mundo.

        Lembro me carinhosamente, no atendimento de uma criança, a conquista de um contato visual, um abrir os braços, o correr, pular no meu colo e me dar um abraço. É uma sensação incrível de ser pertencente a um caminho certo escolhido.

              O autismo não é uma sentença e para os que perceberem o afeto que há nessa forma de ver o mundo, conseguirá ao seu lado, construir um caminho, diante de várias possibilidades para viver a Vida.

         E é assim, uma das mais lindas oportunidades, que a vida me deu em ser uma pessoa melhor. Em buscar junto com os familiares (principais membros do processo) alternativas de um melhor desenvolvimento para essas crianças para “lá de especiais”.

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