Por Genifer Gerhardt

Estou cansada, sabe, filho?
Cansada.
Deito assim ao fim do dia e o incêndio dos tempos caçoa de meu corpo que,
derrubado,
busca dormir.
Cansada. E nem é de ti, pequeno.
Cansada do balanço das ondas. Do não cessar.

Estou cansada da imensidão da batalha.
Dos ‘ismos’ e ‘istas’ caçoando de nós.
Dos discursos inflamados sem ouvidos.
Dos dinossauros dos nossos tempos.

Estou cansada dos seguranças da feira pedindo para que o homem saia dali
– o homem, aquele, o negro, que toca seu pandeiro com uma caixa de papelão ao lado.
Estou cansada do meu cansaço
e dos meus silêncios que ainda perduram tempo demais.

Estou cansada dos olhos dos homens
mas cansada também das ilhas das mulheres.
Das cicatrizes desnecessárias
do que já deveria ser cura.

( Cansada do frio que não aquece em abraço )

Estou cansada, filho, dos temores da minha geração
e mais cansada ainda
dos temores que implantam na tua.

E eu, agora, deito ao teu lado,
mão com mão
e toda noite é refúgio para cansaço.
Mas sei, filho,
– sei –
que amanhã floresceremos em mais coragem.
E que na noite seremos mais uma vez
conchas
cansadascansadascansadas
mas reunidas em beira de mar que vai e vem e vai e vem e.

( Estou cansada
mas o desastre não é morada )

Estou atenta, sabe, filho…
e todas as esperanças também residem em mim.
Por essas mãos entrelaçadas
– filho –
a gente também constrói marés.

A gente também
constrói
marés.

E nosso fôlego
é nosso (a)mar.

Por Genifer Gerhardt

Porto Alegre/RS, 1º de julho de 2017.

Foto: Por Júlio Bernabé, olhar de esposo e Pai apaixonado. 

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O Olho do Viajante – Por Márcio Vassallo

Por Márcio Vassallo   
Aqui na estrada, me deu vontade de postar de novo uma crônica que escrevi para a Leituras Compartilhadas, uma das revistas mais deliciosas e importantes já publicadas no Brasil.

O OLHO DO VIAJANTE
Viajar é uma arte para quem tem olho.

Mas olho de viajante não pousa em cartão-postal, não fica na superfície.

Ele entra é na fundura das pessoas, dos lugares, das situações.
E se mexe feito um pensamento desembestado.

Aliás, desembestar ideia nas pessoas é coisa bem de viajante mesmo, que vê boniteza de tudo quanto é ângulo; nas paisagens escondidas, nos ruídos da mesmice, na lucidez do desatino.

O olho do viajante tem um assombro permanente.

Todo mar é sempre o primeiro para ele.

As coisas têm cheiro de susto e som de descoberta.

Cheiro de susto é um que pula na gente que nem silêncio esfregado na frase.

Som de descoberta é quando a gente pisa numa concha e fica com música no pé.

Então, mesmo quando a descoberta se cobre de novo e o susto passa, tem viajante que fica nas pessoas, tem pessoas que ficam no viajante, tem chegada que abre desejo, tem desejo que dá na partida, tem um monte de tudo alargado nas miudezas.

Mas, afinal, o que é miudeza para o viajante?

Ah, miudeza é o infinito apertado na lonjura. e infinito é uma miudeza esticada até não sei onde.

Viajante é quem empina o infinito dentro da gente.

Só que para empinar infinito nos outros, antes de tudo, o viajante tem que fazer isso dentro dele mesmo. Depois, aí sim ele pode botar as pessoas no ar. E botar as pessoas no ar é dar olho de viajante para elas.

Acho que um dos grandes desafios do professor é dar olho de viajante para os seus alunos.

Há alguns anos fui conhecer as Cataratas do Iguaçu. E tem uma cena que não saiu mais da minha cabeça. Uma professora tinha levado os seus alunos para estudar as cataratas. e ficou lá, o tempo todo, falando da quantidade de litros que caía por dia, do período de secas, de tudo o que podia ser encontrado nos livros ou pesquisado na internet.

Ela ficou lá enchendo as crianças de datas, nomes e números.

É claro que a intenção daquela moça era a melhor possível. Ela saiu da sala de aula, deu um passo importante para viajar com as crianças num monte de possibilidades. Mas ficar só falando de datas, nomes e números, num momento que poderia ser tão mágico, foi dar tudo para aquela turma, menos olho de viajante.

Ainda mais importante do que saber de onde vem e para onde vai toda aquela água é escutar o barulho que ela faz quando cai. Aí você pode fechar os olhos junto com o seu filho, junto com o seu aluno, e ficar escutando aquele barulho assustador de bonito.

Assim, de olhos fechados, vocês podem ver um bocado de coisas juntos. Vocês podem conversar sobre o que cada um imagina quando escuta aquela catarata despencar. Já imaginou? É assim que você vai botar encanto na criança. É assim que ela vai suspirar. E é assim que você vai suspirar junto com os seus alunos.

Se quiser, você pode esquecer o barulho e ficar na imagem. Você pode ler a imagem das cataratas, ou ler a imagem de uma praça, de um rosto, de um texto, de uma ilustração.

Ensinar a ler sons e imagens é dar olho de viajante para as pessoas.

Conheço uma professora que faz isso como ninguém. Ela usa a literatura para dar uma aula possuída de beleza.

Literatura infantil, para ela, é coisa séria, não é historinha, não é misturar dois quilos de diminutivos com um punhado de adjetivos e descobrir lições de moral no final, nem é pretexto para falar de gramática, para fazer prova ou para cobrar respostas certas, como se existissem respostas certas para a beleza.

Essa professora que eu conheço diz que a beleza é incerta.

É assim que ela dá febre de encantamento nos seus alunos.

Na realidade, ela sabe que os seus alunos não são seus, porque nenhuma cidade pertence ao viajante. e cada aluno é uma cidade diferente.

Ninguém conhece uma cidade só de ouvir, seja numa conversa entre amigos, ou na sala dos professores.

Para conhecer uma cidade, a gente tem que entrar nela com o olho desarmado, sem rótulos, sem pressa, sem expectativas exageradas. E tem que permitir que ela entre na gente, sem que perceba que está entrando.

Entrar numa cidade, entrar num livro, entrar numa pessoa, e permitir que tudo isso entre na gente, é bem coisa de viajante mesmo.

Mas viajar não é uma arte só para quem tem olho.

Afinal, olho a gente ganha na estrada. Não importa que essa estrada, hoje, seja a rua que você atravessa todos os dias, a página de um livro que salta na sua frente, ou o corredor da sua escola.

Tem gente que roda o mundo, mas não consegue sair do lugar.

Tem gente que não sai do lugar, mas consegue rodar o mundo.

A viagem depende muito mais da pessoa que da passagem.

Santa Ceia em Montmartre – Paris

As mochilas já não paravam nas costas, volta e meia, buscávamos um canto para encosta-las, entre as andanças das ruas de Montmartre , Paris.

Montmartre é um bairro boêmio de Paris, em 1860 o bairro tornou-se um ponto de encontro importante de artistas e intelectuais, famosos pela sua animada vida noturna. Ponto de encontro de figuras como  Degas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec frequentavam o lugar, contribuindo para criar um clima libertário.

Hoje o bairro ainda vibra e cheira arte, é só você fugir um pouco dos destinos turísticos e caros, como Moulin Rouge, e sair da rota do lucro das agências turísticas.

Se você deseja  buscar a alma dos lugares, assim como na Vida, é só fazer o que a maioria não faz.

Uma colina que ainda é animada por artistas, turistas e boêmios que sabem os locais específicos da verdadeira diversão, gente acolhedora como os franceses e que adoram partilhar e conversar com turistas, ainda não encontrei. Do garçom ao vendedor ambulante, você descobre rapidinho quais os lugares onde pulsa Vida.

Chegamos ao hostel antes do combinado e ficamos curtindo a recepção, que já cheirava arte. Apesar do cansaço, valeu a pena à espera por um quarto suíte com aquela ducha revigorante, nos preparando para mais andanças…

Sempre preferimos hostel, conhecemos pessoas do Mundo todo, a maioria abertas para partilhas e trocas de experiências. De uma linguagem corporal ou com ajuda do tradutor, as risadas, conversas e trocas sempre acontecem…

De pessoas sozinhas à famílias, a intervenção é certa, principalmente no horários das refeições.

Santas refeições!

Cozinhar em hostel é umas das experiências mais deliciosas de troca que vivenciamos em nossas viagens.

E é uma dessas experiências que vim partilhar aqui com vocês.

Eu e meu marido decidimos fazer àquele jantarzinho romântico, à três,  com um bom vinho, uma boa pasta, molho inusitado e aproveitando os queijos maravilhosos da França, em nossa primeira noite em Paris.

Sempre tivemos o hábito de ficar conversando, bebendo vinho enquanto preparamos a refeição da família.

Nesse dia, a cozinha do hostel estava vazia, fiquei em uma mesa de frente pra ele, dividindo atenção entre ele e o pequeno que interagia conosco na preparação da ceia.

Em certo momento, quando meu marido  já estava com os ingredientes preparados ao lado da pia, panela no fogo, degustando o vinho,  e pegando  o escorredor para pasta, ouvimos um barulho de sino,  um tipo de alarme…

Logo chegou o recepcionista  e foi entrando na cozinha.

Uma rapaz que devia ter seus 30 anos, barba grande, sorridente, atencioso e que ainda não tínhamos conversado. Pediu licença e falou algo que não entendemos…

Corporalmente ele foi empurrando um pouco os ingredientes longe da torneira, tirou o escorredor de perto da cuba com um pouco de pressa, como se estivesse atrasado e foi tomando espaço na frente da pia com seu corpo grande e musculoso.

Começou a lavar as mãos,  meu marido sacou o escorredor de lado, e ainda conversando comigo e um pouco de olho no rapaz, esperava-o  terminar. Quando de repente, olhamos em direção à pia, já não eram só as mãos que estavam sendo higienizadas.

Nos entreolhamos sem entender muito bem o que se passava, e continuamos olhando culturalmente perplexos nos pés do rapaz, que estavam sendo banhados dentro da pia da cozinha.

E antes que você expresse qualquer reação, meu primeiro pensamento foi, mas cadê o bendito banheiro da recepção?

Mas a única coisa que corporalmente conseguimos expressar, foram risadas sucintas e olhos de cumplicidade que brilhavam e desejavam chorar de rir pela situação, e claro, que as libertamos logo após o rapaz nos agradecer com um belo sorriso e correr para seu canto reservado da recepção.

Àquela altura, tamanha nossa fome e sensação de: “o que está acontecendo aqui?”, fingimos não  questionar as demais possibilidades de uso da pia, só tratamos de nos certificar de que tudo estava muito bem cozido.

E lá estava nossa deliciosa pasta, nossa garrafa de vinho que já estava pela metade, e as gargalhadas que não cessavam à cada lembrança.

E claro, como de costume, o bate papo sobre a diversidade cultural que nos encanta a cada lugar que visitamos e pessoas que partilhamos, que nos obrigam a saltar vez ou outra de nosso mundinho conhecido com parâmetros e paradigmas ultrapassados.

O Nosso jovem recepcionista, estava se preparando para a Salá, Salat ou Salah (em árabe), são as 05 orações públicas que cada muçulmano deve realizar diariamente, voltado para Meca. As orações devem ser feitas em momentos concretos do dia, que não correspondem as horas, mas as etapas do sol.

O ritual de purificação que o jovem fez na pia da cozinha, foi o wudu (ou wuzu) que consiste em lavar com água as mãos, as narinas, os braços até a altura do cotovelo, a face, a cabeça, as orelhas e ouvidos e os pés, de uma determinada maneira.

E sem percebermos, lá estávamos nós, participando do ritual e partilhando daquele momento único.

E olha, que pela nossa experiências com grupos, de diversidade cultural, social, ideológica, pensamentos, valores e crenças, em nossa arrogância, acreditávamos que nossos pré-conceitos eram poucos.

E o pré-conceito que mais foi testado naquele momento, foi nosso conceito de higiene e espaço para tal. Enquanto para outra cultura, água purifica tudo.

Diferente não? Sim, essa é umas das palavras que sempre usei em minha Vida: Diferente, pois quando uso parâmetros pobres como:  pior ou melhor, bom ou ruim, certo ou errado,  são conceitos que limitam meu Modelo de Mundo e me impedem de conhecer e entrar verdadeiramente em contato com o outro, dificulta a minha capacidade em desenvolver RESPEITO e compreensão ao que não faz parte da minha cultura.

Já disse Freud,

“Quando não somos capazes de entender alguma coisa, procuramos desvaloriza-las com críticas. Um meio ideal de facilitar nossa tarefa.”

E quando você está no encontro com o “Outro” você experimentará de tudo, menos facilidades, pois é justamente a partir da convivência com esse “Outro”, que você evolui.

Quando encontramos à diversidade mundial, mergulhamos numa seguinte compreensão sistêmica que usarei uma frase de Gandhi para tentar expressa-la:

Interdependência: ” Cada um de nós tem um corpo, mas temos uma só alma. Os raios de sol são múltiplos, mas provém da mesma fonte. Eu não posso separar-me de ninguém, mau ou bom.”

E isso é simplesmente Lindo!

O  valor dessas experiências está na capacidade de abrir-se para compreensão, ampliar a mente, claro que muitas vezes também respeitando e protegendo nosso modo cultural de vivenciar o Mundo, e nessa troca, ambos saímos transformados.

Precisamos ter cuidado ao pisar no território do outro e assim aprendemos a só permitir a entrada em nosso Mundo, dos que respeitam nosso modo de ser.

Bem, e quanto à Montmartre…

Desde àquela cafeteria pequenina e acolhedora, com aquele cappuccino cremoso e desenhado pelo cacau, um croissant levíssimo e macio servido pela senhorinha de sorriso acolhedor, a cafeteria estilo década de 70, com poltronas cheias de pelos de gato e o garçom mais atencioso e fã do Ronaldo, ao  café des 02 Moulins (Amélie Poulain que tenho um post à parte), Montmartre, realmente tem uma gastronomia inusitada, para Alma. 

E essa foi apenas a nossa primeira ceia do primeiro dia,

Servidos?

Por Gizele Cordeiro

Uma alma de mergulhos incansáveis com o Outro.

Dente de leão

Olhos encantados

naquele segundo de contemplação

Quando seu corpo levita

Quando os sentidos despertam

Quando a mente cessa

Quando a alma encanta-se

Quando o vento sopra

Quando o toque acaricia

Quando o sabor alimenta

Quando o som embala

o ninar da contemplação

Quando nos fazemos presentes

conectados

todos os sentidos

que dão sentido,

sem explicação;

tudo que a nossa alma ousa perceber

com sensibilidade,

a nossa Eternidade

no Sentir…

de um dente-de-leão

 

Por Gizele Cordeiro

Foto: Júlio Bernabé, estradas de Andalucía…

 

 

 

Por Genifer Gerhardt

O que tenho pensado é que, talvez, não sejam as presenças e ausências do ter que fazem as pessoas. Você não é triste pelo que lhe falta. Você não é feliz pelo que tem. Sempre faltará algo, e sempre terá um pouco mais do que precisa. Porque precisar, precisar mesmo, se precisa muito pouco. Pouquíssimo. Muito menos do que imaginamos eu e você. Um cadim de água, um cantinho para dormir, uma terrinha… amor, amores.

Da mesma forma, o que vai te deixar segura não é o muro. Nem o fio elétrico sobre o muro que apita todo dia, toda hora. Talvez se você acreditar (entender?) que não precisa temer. Que, se perder tudo de material… é só material. Coisa. Profundamente, coisa. A segurança vai dentro. Não na matéria. Não na coisa. Dentro. Ideia difícil de se internalizar em profundidade.

Por isso percebo que não importa onde estejamos. O que temos. O que nos falta.

Alguns se sentirão seguros. Outros não.
Alguns se sentirão em contentamento. Outros não.
Alguns se sentirão doentes, até. Outros não.

Porque não é a circunstância. A presença. A ausência. É aquilo que crescemos crendo.
Passamos tempo demais aprendendo a ter medo, construir muros, ter.
A gente precisa de tempo a mais para construir outras crenças. Outros entendimentos. Outras vibrações, que não as dos fios elétricos por sobre os muros.

Só acho, só acho.
Ciência nenhuma, só olhando para as pessoas. Para dentro e para fora, em vai-e-vem de balanço.

Açailândia, Maranhão, 7 de junho de 2016
#paitôindo

Viver sem Medo – Eduardo Galeano

“Acho, que o exercício da solidariedade, quando se pratica de verdade, no dia-a-dia é também um exercício de humildade.

Que ensina você a se reconhecer nos outros e a reconhecer a grandeza escondida nas coisas pequenininhas e que implica denunciar a falsa grandeza nas coisas grandinhas em um mundo que confunde grandeza com grandinho.

Faz pouco tempo, em uma entrevista que me fizeram em Madrid, um jornalista me falou:

“-Lendo os seus livros sinto, que você tem um olho no microscópio e outro no telescópio.”

E achei uma boa definição das minhas intenções, do que eu gostaria de fazer escrevendo.

Ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado.

As pequenas, as minúsculas coisas da gente anônima, da gente que os intelectuais costumam desprezar. Esse micro-mundo onde eu acredito que se alimenta de verdade a grandeza do Universo.

E ao mesmo tempo ser capaz de contemplar o Universo, através do buraco da fechadura, ou seja, a partir das pequenas coisas ser capaz de olhar as grandes.

Os grandes mistérios da Vida, o mistério da dor humana mas também o mistério da persistência humana, nesta mania, às vezes, inexplicável de lutar por um Mundo que seja a casa de todos, e não a casa de pouquinhos e o inferno da maioria.

E outras coisas mais…

A capacidade de beleza, a capacidade de formosura da gente mais simples, às vezes, da gente mais singular, que tem uma insólita capacidade de formosura, que às vezes se manifesta em uma canção, em um grafite, em uma conversa qualquer.

A que as crianças têm…

O que acontece é que depois, nós, adultos, ocupamos em transformá-las em nós mesmos e aí destruímos a vida delas. Mas temos que ver o que é uma criança não?

São todas pagãs…

Um dias desses fui caminhar pela manhã, e  cruzei com uma menina pequena, não devia ter mais que dois anos…

Ela vinha cumprimentando a grama, as plantinhas:

-Bom dia graminha!

Ou seja, nessa idade, somos todos pagãos, e nessa idade, Somos Todos Poetas…

Depois o Mundo se ocupa de apequenar nossa Alma.”

Viver sem Medo – Trecho da entrevista de Eduardo Galeano